
Passaram-se muitos anos, e de vez em quando o tema do sonho vinha a ser o da gestação e parto. Na realidade, fisicamente, nunca tive problemas em relação à esta situação, porque tenho quatro filhos, de três gestações pois dois deles são gêmeos, e tanto gestações como parto transcorreram na mais perfeita normalidade, não tendo que recorrer ao parto cirúrgico, nem mesmo no caso dos gêmeos que nasceram de sete meses, sem estarem ainda na posição correta, e nasceram por vias normais mesmo saindo primeiro os pés (foi necessária apenas uma eficiente ajuda da obstetra, para não correr algum bloqueio na passagem dos braços, e somente isso). Tenho também três netos, dois dêles também gêmeos.
Houve sempre em mim, uma tendência à observar-me o interior, o que de fato acontecia dentro de mim, para poder entender-me comigo e com os outros. Sempre foi uma necessidade, esse aprofundar-me no meu universo, inclusive porque quando não o fazia, acabava somatizando emoções não resolvidas, por causa da minha sensibilidade, e intensidade.
Por isso no meu cotidiano, valia-me de todas as formas que podia para adentrar nesse mundo, para muitos considerado irreal, e inclusive chamado de “abstrato”, porque o real, e o concreto, o que fomos ensinados a buscar é o que está fora de nós e não o que está dentro. Então as tão ironizadas por alguns, “terapias zens" e tudo o mais que se assemelha, procurei e utilizei, como instrumento dessa busca da minha identidade real, a minha essência, do que sou em verdade, e ainda hoje continuo me buscando. Freud, Carl Jung, e outros, me prestaram muita ajuda nos seus livros, mas na verdade o livro que eu queria ler e entender em profundidade era o meu próprio livro. Como poderia eu falar do que não estava em mim, se não sabia do que estava em mim? Como poderia compreender o externo se ele próprio é uma projeção do interno?
E assim, voltando aos sonhos, que são sempre reveladores de nós mesmas, busquei Jung, que tem um vasto material sobre os mesmos, e através desta leitura, entendi que segundo suas conclusões, quando estamos nos aproximando do nosso “Self”, nossa essência, costumamos ter sonhos com gestações e partos. Este pra mim era um sinal revelador de que não estava me "boicotando" na vida, procurando fugir de mim mesma, analisando o comportamento de outros, que é o caminho inverso. Partia de mim para compreendendo-me, poder tornar-me UNA e em harmonia, com o que me rodeia. Aprender a amar-me para poder dizer ao outro “Eu te amo” sendo mais verdadeira, mais inteira, porque se eu não me vejo, não me conheço, e não me aceito em integridade, como posso amar-me? E como posso amar o outro, e a tudo o que está fora de mim, se não me amo, e se é tudo uma projeção do que está em mim?
Sempre, desde a mais tenra idade, senti a necessidade da música nesta busca do entendimento, e acabei concluindo que A MÚSICA É A MAIS PURA RESSONÂNCIA PARA O PERFEITO ENTENDIMENTO DA VIDA. Repeti e repito esta frase milhares de vezes, porque ela me orientou na escolha que fiz, de deixar uma vida de “seguranças” de um “emprego estável”, para trilhar pelo “atalho” que um jovem disse certa vez ter escolhido e que me leva, até hoje, através de caminhos incertos, à certeza do que hoje sou, e a me tornar uma pessoa melhor a cada dia, mais consciente e centrada, e consequentemente mais harmonizada e feliz, mesmo e principalmente porque estou em constante “morte e nascimento”, e nestes fechamentos de ciclos, surgem algumas turbulências. Percebo que o comportamento sempre estável, dos que escrevem e analisam e ironizam o comportamento e as "fraquezas" dos outros, baseados em "padrões" ditos de "normalidade" , é algo muito falso. E eu era assim, antes de me buscar, quando estava sempre sorrindo, mesmo nas piores circunstâncias, quando estava naquele “emprego estável”, que me dava algumas garantias materiais e financeiras, mas que através deste apego me distanciava mais de minha identidade real. Era um personagem que eu representava, para agradar a todos, e inclusive nos meus relacionamentos amorosos, e como diz minha amiga Sônia Bomfim, grande xamã, citando Roberto Carlos: “E continua a viagem, no meio dessa paisagem, onde tudo me fascina..."
Este caminho é o meu caminho é a minha forma de expressão, e hoje estou parindo algo que gestei nos últimos meses que é um projeto musical, para ser levado inicialmente à Portugal, e depois à toda a Europa, e outros diversos lugares, numa mensagem de paz, e de entrega à esta fusão, onde, nos diluímos e nos tornamos todos partículas de um mesmo corpo, ao som da música, que por certo é um grande instrumento para a transformação do mundo em algo muito melhor, que hoje é considerada uma utopia, mas não podemos esquecer que muitas realidades hoje surgiram de Utopias. Esta realidade virá. “You may say I’m a dreamer, but I’m not the only one” (John Lennon).
“Quando a atitude de viver, é uma extensão do coração, é muito mais que um prazer, é toda a carga da emoção, que é O ENCONTRO COM O SONHO, que só pintava no horizonte, e de repente diz presente, sorri e beija nossa fronte, abraça e arrebata a gente, é bom dizer: Viver valeu.” (Gonzaguinha).
Beijos
Gwen
NAMASTE!!!





















